“Quando se aproximavam da aldeia para
onde iam, fez ele menção de passar adiante. Mas eles o constrangeram, dizendo:
Fica conosco, porque é tarde, e o dia já declina. E entrou para ficar com eles.
E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e,
tendo-o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram;
mas ele desapareceu da presença deles. E disseram um ao outro: Porventura, não
nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha
as Escrituras?” (Lucas 24: 28-32)
Chamas do coração
As mulheres
desta igreja tiveram o enorme privilégio de refletir sobre emoções,
sentimentos, comportamentos e sobre as chamas do “coração”.
Foi possível uma reflexão sobre o amor
verdadeiro e crescente por Deus, acompanhada por uma análise sobre paixão;
também, houve a oportunidade de constatar que a busca é essencial para se
alcançar um “coração” em chamas por Jesus!
Aqueles dois
discípulos no caminho de Emaús, após terem andado ao lado de Jesus e conversado
com Ele sem O reconhecerem, questionaram os próprios sentimentos; pareciam
desapontados por não terem dado importância aos seus “corações” ardendo! Mas
mesmo sem saberem que se tratava do Mestre, O convidaram para ficar; pediram
àquele Homem que discorreu sobre as Escrituras Sagradas que ficasse com eles.
Então, os olhos daqueles dois discípulos foram abertos, ou seja, compreenderam
que se tratava de Jesus; mas parece que antes de perceberem através da razão, o
“coração” já havia sinalizado através de um sentimento de ardência ou
queimação, que podemos chamar de emoção. Talvez, se eles tivessem um pouco mais
de fé, teriam dado atenção imediata àquela manifestação emocional e teriam
reconhecido o Mestre.
É possível que
muitos de nós já tenhamos passado uma boa parte da vida cristã sem identificar
os sentimentos por Jesus; e na busca do reconhecimento daquilo que se sente
pelo Mestre, há a possibilidade de descobrir que o amor ainda é muito pequeno e
requer investimento espiritual. Certamente devemos viver pela fé, contudo, os
nossos sentimentos são imprescindíveis em nosso relacionamento com o Pai
Celestial e com o próximo; o cuidado que devemos tomar são com as nossas
emoções, pois muitas delas são repentinas e passageiras.
Nossa vida
cristã deve estar alicercada na fé, mas sem dúvida nenhuma dependemos dos
nossos sentimentos e precisamos desesperadamente do conhecimento da Palavra e
de nós mesmos. Inclusive, há a necessidade de estimularmos os nossos
sentimentos por Deus através do quebrantamento e enchimento do Espírito Santo;
devemos buscar que o nosso coração realmente arda de amor pelo nosso tão
marvilhoso Pai Celestial!
Certamente todos
nós temos chamas em nosso “coração”, mas talvez a chama mais ardente não seja
por Jesus; há a possibilidade de que a maior e mais ardente chama seja pelo
nosso próprio eu. Também é possível que a chama mais importante e mais intensa
seja pela profissão, dinheiro, posição social, namorado, cônjuge, pais ou
filhos; isto explicaria o fato de Deus não ser buscado em primeiro lugar em
nossas vidas e a falta de comprometimento com a Sua obra. O desinteresse pelos
cultos de oração, pela intercessão e pelo estudo da Palavra, são indicadores
fidedignos da ausência de uma chama central e intensa de amor por Jesus.
Mas é importante
pensar que se realmente estiver acontecendo a falta de amor e intimidade com
Jesus, há a possibilidade de mudar isto, caso se deseje; o primeiro passo é o
reconhecimento dos sentimentos e o segundo passo é a confissão a Deus seguido
de um pedido de socorro. Podemos pedir
ao Mestre que fique, pois a noite se aproxima, e não sabemos como será o
amanhã; dizer a Ele com fé que desejamos amá-Lo muito, que desejamos ter o
nosso coração ardendo de amor por Ele, poderá ser o início de uma vida cristã
de vitórias sem fim!
Que o Senhor
toque no mais profundo da nossa alma, e a partir da nossa fé, nos faça desejar
uma profunda intimidade com Ele; que a intensidade da nossa busca seja tal qual
a busca da corsa por águas! (R.E.S.A)